A busca por agilidade na produção automotiva levou a Ford a uma situação inesperada: a necessidade de recontratar aproximadamente 350 engenheiros experientes. A montadora admitiu que a automação, especialmente através de sistemas de Inteligência Artificial (IA), não entregou os resultados esperados em termos de qualidade. A empresa apostou que a IA e o aprimoramento dos requisitos de design levariam a um salto na qualidade dos veículos, mas essa abordagem se mostrou falha.
A principal dificuldade não reside na tecnologia de IA em si, mas sim na qualidade dos dados utilizados para seu treinamento e na perda de conhecimento prático. Com a saída de funcionários experientes antes que suas décadas de conhecimento pudessem ser devidamente incorporadas aos sistemas automatizados, a Ford se viu em uma encruzilhada. Para remediar a situação, a empresa precisou recontratar ex-funcionários, promover talentos internos e investir em treinamento para garantir que o conhecimento acumulado fosse transferido para as equipes mais jovens e para aprimorar a coleta de dados que alimentam os modelos de IA.
Nos últimos anos, a Ford tem enfrentado uma queda na qualidade de seus veículos, evidenciada por um aumento no número de campanhas de recall. Fatores como o lançamento complexo dos modelos Explorer e Aviator, interrupções na cadeia de suprimentos durante a pandemia de COVID-19 e a falta de sinergia entre diferentes departamentos foram apontados como contribuintes. A montadora reconheceu que seu modelo de negócios se baseava excessivamente na identificação e correção de defeitos após sua ocorrência. Agora, a estratégia da Ford é antecipar o controle de qualidade, integrando equipes de software e digitais mais de perto com engenharia, produção e fornecedores. Uma equipe dedicada de 40 pessoas foi criada especificamente para a verificação de software, e mais de 100.000 testes baseados em IA foram adicionados para identificar falhas raras e garantir a robustez dos sistemas antes da entrega ao cliente. Essa mudança de paradigma, que combina verificações automatizadas, dados de alta qualidade e a experiência insubstituível de engenheiros veteranos, já começa a render frutos, com a Ford alcançando o primeiro lugar entre os fabricantes de automóveis em massa no ranking de qualidade inicial da JD Power, algo inédito em 16 anos.







