Botnet C0XMO Ataca Roteadores com Firmware DD-WRT Utilizando Exploit Antigo

Botnet C0XMO Ataca Roteadores com Firmware DD-WRT Utilizando Exploit Antigo

Especialistas em cibersegurança alertam sobre o C0XMO, uma nova variante da botnet Gafgyt que explora uma vulnerabilidade conhecida em roteadores DD-WRT para lançar ataques DDoS. A botnet demonstra uma arquitetura modular avançada e capacidade de eliminar concorrentes.

MundiX News·09 de junho de 2026·6 min de leitura·👁 8 views

Especialistas da Fortinet emitiram um alerta sobre uma nova variante da botnet Gafgyt, denominada C0XMO. Esta malícia tem como alvo principal roteadores que utilizam o firmware DD-WRT, mas pesquisadores também identificaram versões compatíveis com diversas arquiteturas, incluindo ARM, MIPS, PowerPC, SuperH, x86 e x86_64.

A principal característica distintiva do C0XMO, segundo os especialistas, é sua arquitetura modular. Essa abordagem permite que os operadores da malícia atualizem os mecanismos de exploração de vulnerabilidades, adicionem suporte a novas arquiteturas e expandam as capacidades do malware sem a necessidade de alterar a carga útil (payload) principal. Essa flexibilidade confere ao C0XMO uma vantagem significativa em termos de adaptabilidade e longevidade.

Assim como outros membros da família Gafgyt, a nova botnet é projetada para executar ataques de Negação de Serviço Distribuída (DDoS). O C0XMO possui um arsenal com 19 métodos distintos para realizar tais ataques, incluindo UDP flood, TCP flood, SYN flood e ICMP flood. Além disso, emprega técnicas como Ping of Death, ataques de amplificação via NTP e Memcached, e métodos específicos voltados para serviços de jogos da Valve e a plataforma Discord. Relatos recentes indicam que esta botnet já foi utilizada em ataques contra uma empresa de tecnologia não especificada no Japão.

Para infectar os roteadores, o malware explora uma vulnerabilidade antiga, identificada como CVE-2021-27137, presente no DD-WRT. Essa falha está relacionada a um buffer overflow causado pelo processamento incorreto de entradas do usuário, permitindo a execução de código arbitrário sem a necessidade de autenticação. Uma vez que a exploração é bem-sucedida, o C0XMO baixa um script em Python que instala bibliotecas adicionais essenciais para a varredura de rede e a comunicação via SSH e Telnet.

Após a instalação, o malware inicia a busca por novas vítimas, varrendo endereços IP na internet e testando portas comumente utilizadas, como 22, 23, 80, 443, 7547, 8080, 8443 e 8888. Ao encontrar um alvo potencial, o C0XMO tenta adivinhar as credenciais de acesso para SSH ou Telnet. Em seguida, determina a arquitetura do dispositivo comprometido e baixa o binário correspondente. Os pesquisadores observaram que o script do C0XMO contém aproximadamente vinte funções dedicadas à identificação e exploração de diversas falhas, determinação da arquitetura e verificação da disponibilidade dos nós.

Para garantir sua persistência no sistema, o malware se copia para diretórios ocultos, como /tmp/.sys, /var/tmp/.sys e /dev/shm/.sys. Posteriormente, cria tarefas agendadas (cron jobs) que reiniciam o processo a cada 15 minutos. Adicionalmente, o C0XMO modifica os scripts de inicialização do shell para assegurar que o malware seja executado automaticamente após cada reinicialização do sistema.

Outra característica notável do C0XMO é sua capacidade de combater a concorrência. Após infectar um dispositivo, o malware verifica a lista de processos em execução em busca de clientes de outras botnets, ferramentas de pentest ou serviços que possam interferir em suas operações. Todos os processos identificados são encerrados, e os binários e mecanismos de persistência associados são eliminados.

Finalmente, o malware estabelece comunicação com um servidor de comando e controle (C2) utilizando um endereço codificado e um mecanismo de autenticação em várias etapas. Uma vez conectado, o C0XMO entra em modo de espera por comandos. Os operadores do C0XMO podem, a partir daí, iniciar novas varreduras, gerenciar os sistemas infectados e orquestrar ataques DDoS utilizando qualquer um dos métodos disponíveis.

A Fortinet destaca que, em comparação com botnets de IoT de anos anteriores, a arquitetura do C0XMO demonstra um nível de maturidade e planejamento superior, destacando-se significativamente entre os demais representantes da família Gafgyt.

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