Como uma folha amassada em uma impressora Xerox levou à criação do GNU Linux e a toda a filosofia Open Source

Como uma folha amassada em uma impressora Xerox levou à criação do GNU Linux e a toda a filosofia Open Source

Descubra a história fascinante de como um problema técnico em uma impressora Xerox inspirou Richard Stallman a fundar o projeto GNU e a defender a filosofia do Software Livre, moldando o mundo da tecnologia como o conhecemos.

MundiX News·30 de maio de 2026·10 min de leitura·👁 16 views

Quando falamos dos criadores do mundo da tecnologia moderna, é comum lembrarmos de nomes como Torvalds, Gates ou Jobs. Mas sejamos honestos: sem um hacker barbudo e teimoso do MIT, não teríamos Android, nem servidores Linux, nem metade do software que usamos diariamente. E não, não estamos falando de Linus. Estamos falando de Richard Matthew Stallman, ou simplesmente RMS, como é conhecido no meio.

Stallman entrou para a história não apenas como um programador genial, mas como o criador da filosofia do Software Livre (Free Software). Foram suas ideias que lançaram as bases sobre as quais mais tarde cresceram linguagens como Python, navegadores livres, todo o movimento open-source e até mesmo o conceito de desenvolvimento colaborativo aberto, sem o qual o GitHub, por exemplo, não existiria.

O próprio RMS é uma figura extremamente incômoda para a indústria moderna. Ele é um filósofo radical que, por princípio, não usa smartphones, não tem contas em redes sociais e paga apenas em dinheiro. Por muitos anos, ele foi abertamente ridicularizado, chamado de paranoico. Mas hoje, em meio a escândalos intermináveis de vazamento de dados e vigilância corporativa total, as ideias de Stallman não parecem mais insanas. Pelo contrário, surge a percepção: parece que esse cara entendeu tudo muito antes de nós.

AI Lab no MIT, cultura hacker e Emacs

Na escola, Richard era o típico nerd excluído: enquanto seus colegas jogavam beisebol, ele devorava enciclopédias e fazia perguntas incômodas demais aos professores. Ele claramente não se encaixava na sociedade, até que, aos 17 anos, conseguiu um estágio de verão na IBM. O contato com um mainframe de verdade mudou tudo. O computador não o julgava pela aparência nem ria de suas excentricidades – ele simplesmente executava as instruções honestamente. Para um garoto introvertido, era o parceiro ideal.

A vida real começou nos anos 70, quando Stallman foi para o Laboratório de Inteligência Artificial do MIT (AI Lab). Naquela época, a palavra "hacker" significava um engenheiro virtuoso, não um cibercriminoso, e um verdadeiro utopia tecnológica reinava nos corredores do laboratório. O código-fonte era um bem comum. Qualquer um podia examinar os códigos, ver como tudo funcionava, corrigir um bug e compartilhar a melhoria com os outros. Para Stallman, essa ética hacker livre tornou-se o sentido da vida.

Foi no MIT que RMS criou seu primeiro produto lendário. Na época, o principal editor de texto era o TECO – uma ferramenta tão rudimentar e não intuitiva que, para simplesmente apagar um caractere, era preciso digitar combinações complexas. Para não enlouquecer, os programadores escreviam macros para ele. Stallman, junto com Guy Steele, reuniu os melhores scripts em um sistema extensível unificado – assim nasceu o Emacs (de Editor MACroS).

A capacidade de customizar o editor levou o Emacs a acumular uma quantidade monstruosa de funcionalidades ao longo do tempo: era possível ler e-mails, gerenciar arquivos, codificar em Lisp integrado e até jogar diretamente nele. Isso gerou a imortal piada de TI: "Emacs é um ótimo sistema operacional, só lhe falta um bom editor de texto". E sim, foi nessa época que se lançaram as bases do épico "holivar" entre fãs de Emacs e Vim. A guerra já dura 40 anos, e alguns parecem não ter saído dela até hoje.

A famosa impressora Xerox: o ponto sem retorno

Toda revolução tecnológica muitas vezes começa com alguma trivialidade cotidiana. No caso do software livre, essa trivialidade foi uma impressora.

O laboratório do MIT recebeu uma nova Xerox 9700, que simplesmente adorava amassar papel. Os programadores enviavam um documento para impressão, iam até a máquina e, em vez de seus textos, encontravam um monte de papel preso e uma fila de colegas irritados. Stallman decidiu resolver a situação à maneira hacker: ele planejou modificar o driver para que a impressora enviasse notificações pela rede se, por acaso, "engasgasse".

Para isso, ele precisava do código-fonte. Richard procurou a Xerox, esperando o habitual intercâmbio colaborativo de código, mas recebeu uma recusa categórica. Representantes da empresa declararam: "Desculpe, rapaz, é segredo comercial, o código é fechado, você não receberá nenhum código-fonte".

Para Stallman, isso foi um verdadeiro tapa na cara. Ele cresceu em uma cultura onde o código é conhecimento, e o conhecimento é feito para ser compartilhado. E, de repente, uma corporação o proíbe de melhorar um dispositivo com o qual ele trabalha todos os dias.

Foi então, no início dos anos 80, que RMS percebeu a mudança catastrófica na indústria: os programas estavam rapidamente se transformando em propriedade privada de alguém. A antiga utopia hacker do MIT estava desmoronando diante de seus olhos. Colegas de Stallman foram saindo um a um para startups comerciais, levando consigo seus desenvolvimentos e fechando o código. O mundo do desenvolvimento aberto estava morrendo, e Stallman percebeu que, se ele não fizesse nada, esse processo se tornaria irreversível.

GNU: uma piada recursiva e o nascimento do mundo livre

Percebendo que o mundo do código aberto estava caindo no abismo, Stallman tomou uma decisão que mudou para sempre as regras do jogo. Em 27 de setembro de 1983, ele lançou um desafio a toda a indústria, anunciando publicamente o lançamento do projeto GNU. O nome é uma clássica piada recursiva hacker: GNU's Not Unix ("GNU não é Unix").

O objetivo parecia um completo absurdo: criar do zero um sistema operacional completo, totalmente compatível com o Unix popular da época, mas sem uma única linha de código proprietário e fechado. Qualquer pessoa deveria ter o direito de executá-lo, desmontá-lo peça por peça, modificá-lo e compartilhá-lo com outros. O Unix era bom em tudo, mas custava dinheiro e seus códigos-fonte eram completamente fechados, e Stallman queria criar um sistema que pertencesse a toda a humanidade.

Para realizar o que planejou, Richard tomou uma medida radical. Ele se demitiu voluntariamente do MIT, perdendo estabilidade e seu ambiente familiar. Por quê? Para que a universidade não tivesse nem mesmo a possibilidade teórica de reivindicar direitos autorais sobre seu código.

Começaram anos de trabalho árduo. Stallman se transformou em um eremita obcecado: ele literalmente morava no escritório, dormia em um colchão debaixo da mesa, comia fast-food e mal falava com ninguém. Sozinho, ele escreveu as coisas fundamentais mais complexas: por exemplo, o compilador GCC (sem o qual é difícil imaginar a compilação de programas em C hoje) e o poderoso depurador GDB. Ele criou dezenas de utilitários básicos, sem os quais nenhum distribuição Linux poderia funcionar mais tarde. A ideia era simples: o usuário não deveria notar a diferença ao mudar do Unix para o GNU, exceto pelo fato de que ele agora controlava totalmente seu sistema.

O mecanismo Copyleft e a licença "viral" GPL

Mas apenas entusiasmo e código puro não eram suficientes – a dura realidade comercial logo se fez sentir. Quando Stallman deixou o MIT, ele levou consigo uma cópia de seu editor Emacs. Logo descobriu-se que a empresa Symbolics, onde agora trabalhavam seus ex-colegas de laboratório, sem escrúpulos pegou os desenvolvimentos do MIT sobre o Emacs, os aprimorou e começou a vendê-los com sucesso. Mas eles, é claro, não tinham intenção de compartilhar as modificações e devolver o código para a comunidade.

Para RMS, isso foi uma punhalada nas costas. Em resposta, ele simplesmente pegou e reescreveu todo o Emacs do zero, para lançá-lo como um programa completamente independente e livre. Mas esse caso serviu como uma ótima lição: Stallman percebeu que era ingênuo simplesmente entregar o código ao mundo. A qualquer momento, uma corporação poderia vir, apropriar-se de seus esforços, fechá-los sob uma licença proprietária e fazer negócios com isso. Para que o código permanecesse livre para sempre, era necessária uma forte proteção legal.

Assim surgiu a GPL (GNU General Public License) – talvez o hack jurídico mais bonito da história da TI. A ideia era genial em sua simplicidade: você pode pegar o código, usá-lo gratuitamente e fazer o que quiser com ele, mas com uma condição rígida. Se você usar um pedaço de código GPL em seu programa, então todo o seu programa automaticamente deve ser licenciado sob a GPL, e seus códigos-fonte devem ser abertos para todos.

É como com a receita de um bolo: asse, venda, aproveite a vida. Mas se você pegou uma receita aberta e adicionou seu "ingrediente secreto" comercial – seja gentil, revele esse segredo a todos os compradores.

Stallman chamou esse mecanismo de Copyleft (um jogo de palavras elegante com Copyright). Se o copyright existe para restringir os direitos das pessoas sobre a distribuição, o copyleft usa as leis de direitos autorais para garantir e proteger essa liberdade contra a privatização corporativa.

O mundo dos negócios literalmente gritou com essa abordagem. Executivos e desenvolvedores proprietários chamaram desdenhosamente a GPL de "vírus" que infecta e desvaloriza qualquer código comercial com que entra em contato. A isso, Stallman respondeu calmamente: "Não é um vírus. É uma vacina contra a ganância."

As quatro liberdades do usuário e o conflito com o Open Source

Para que o sistema funcionasse, ele precisava ser apoiado por uma ideologia rígida. Stallman não seria Stallman se não transformasse uma questão técnica em um tratado filosófico. Ele formulou quatro critérios básicos que definem se um programa é verdadeiramente livre. Como um verdadeiro programador, ele começou a numeração do zero:

Liberdade 0: Executar o programa para qualquer finalidade. Seja para trabalho, hobby ou controle de um reator nuclear – ninguém tem o direito de proibi-lo.

Liberdade 1: Estudar como o programa funciona e adaptá-lo às suas necessidades. (Sem acesso ao código-fonte, essa liberdade é fisicamente impossível).

Liberdade 2: Distribuir livremente cópias. Você tem todo o direito de compartilhar o programa com um amigo ou colega.

Liberdade 3: Melhorar o programa e publicar suas modificações para que toda a comunidade se beneficie de seu trabalho.

A posição de RMS é categórica: se pelo menos uma dessas liberdades estiver ausente – você está diante de um software proprietário, que não tem lugar em seu disco rígido.

É importante fazer uma observação linguística aqui. Em inglês, a palavra "free" significa tanto "livre" quanto "grátis". Por causa disso, muitos ainda pensam que Stallman é um tipo de comunista de TI que quer que os programadores trabalhem de graça e se alimentem de luz solar. Nada disso. Ele sempre defendeu a liberdade dos usuários, não a ausência de preços. Você pode vender software livre por qualquer quantia de dinheiro, mas o comprador deve se tornar o proprietário pleno do código.

Para promover essas ideias para as massas e proteger os desenvolvedores legalmente, em 1985, Stallman fundou a organização sem fins lucrativos Free Software Foundation (FSF). Ela existe até hoje.

E então veio o final dos anos 90, e ocorreu uma grande cisão na comunidade, pela qual Stallman se enfurece até hoje. Surgiu o termo Open Source (código aberto).

Pareceria que o código está aberto – qual é o problema? Mas para RMS, a diferença é colossal. O pessoal do Open Source queria tornar o código aberto atraente para grandes empresas. Sua retórica se baseava no pragmatismo: "código aberto é vantajoso, confiável, e uma multidão de contribuidores corrige bugs mais rapidamente". Nenhuma ética, apenas um modelo de desenvolvimento eficaz.

Para Stallman, essa abordagem é uma traição aos ideais em prol de orçamentos corporativos. A liberdade do software, para ele, é uma questão de moral e direitos humanos básicos, não de praticidade. Quando mais uma mega corporação declara do palco "Nós amamos o Open Source!", RMS ouve algo completamente diferente: "Usamos seu código com prazer para economizar em desenvolvimento, mas não pretendemos retribuir nada ou respeitar as liberdades de nossos usuários". E, de certa forma, você tem que admitir, ele está terrivelmente certo.

O drama "GNU/Linux" e o fracasso do microkernel Hurd

No início dos anos 90, o projeto GNU tinha quase tudo: compiladores, utilitários, bibliotecas. Faltava apenas o detalhe mais importante – o coração do sistema, seu kernel. E aqui Stallman cometeu seu principal erro técnico (e talvez estratégico).

Em 1990, começou o desenvolvimento do kernel GNU Hurd. Stallman decidiu fazer tudo de forma elegante e escolheu a arquitetura de microkernel na época popular baseada em Mach. Em teoria, tudo soava incrível: em vez de um único pedaço de código desajeitado (um kernel monolítico), um conjunto de pequenos servidores isolados que se comunicam uns com os outros foi criado. Deveria ser super seguro e confiável.

Mas na prática, o desenvolvimento se transformou em um inferno. A arquitetura se mostrou excessivamente complexa, os bugs se multiplicavam geometricamente, e o desempenho deixava a desejar. Três anos foram necessários apenas para que os desenvolvedores do Mach lançassem uma licença adequada. O projeto estava irremediavelmente emperrado.

E então, em 1991, um estudante finlandês desconhecido, Linus Torvalds, entra em cena. Ele não se preocupa com microkernels elegantes, mas simplesmente cria seu próprio kernel monolítico, que ele chama de Linux. Ficou mais rudimentar, mais simples, mas o principal – funcionou ali e agora.

Inicialmente, Linus lançou o kernel sob sua licença proprietária, que proibia o uso comercial. Mas Torvalds respeitava sinceramente Stallman e sua filosofia. Avaliando o potencial da comunidade aberta, em 1992, ele transferiu o kernel Linux para a mesma licença GPL.

Foi o quebra-cabeça perfeito: o kernel do Linus + os utilitários GNU prontos. Assim, finalmente surgiu o sistema operacional totalmente livre que Stallman sonhava há quase 10 anos.

Mas então aconteceu um drama que não diminui até hoje. O mundo abraçou alegremente o novo SO e começou a chamá-lo simplesmente de "Linux". Richard ficou terrivelmente ofendido. Ele razoavelmente se indignou: "Espere, o kernel é apenas uma pequena parte do sistema! Sem os compiladores, o shell e os utilitários GNU, seu Linux é apenas um pedaço de código inútil".

Stallman iniciou uma cruzada pela justiça histórica, exigindo que todos usassem exclusivamente o nome GNU/Linux. Torvalds apenas deu de ombros: "Chame como quiser". Mas RMS ficou furioso. Ele pode literalmente interromper um palestrante em uma grande conferência se este ousar pronunciar a palavra "Linux" sem o prefixo "GNU", e a plateia ficar em silêncio constrangedor.

(A propósito, o GNU Hurd ainda está sendo desenvolvido silenciosamente até hoje. É possível até rodar compilações exóticas como Debian GNU/Hurd nele. Sim, ele é usado por um número minúsculo de pessoas, mas o fato de o desenvolvimento não ter parado por mais de 30 anos inspira respeito).

Excentricidade, "cancelamento" e retorno

Nos anos 90 e 2000, Stallman se transformou em uma verdadeira estrela do rock do mundo da TI. Ele viajava pelo mundo dando palestras, falava em universidades, parlamentos e lotava auditórios. Seu carisma e intransigência fascinavam: os estudantes saíam de suas palestras com os olhos brilhando e um desejo irresistível de apagar imediatamente o Windows.

Mas junto com a popularidade, suas exigências excêntricas também cresceram. Você convidou Stallman para uma conferência? Tenha a gentileza de garantir que nenhum byte de software proprietário seja usado na sala. Houve um caso em que ele simplesmente se virou e foi embora ao saber que as apresentações estavam sendo exibidas em Microsoft PowerPoint, e não no LibreOffice livre. Para muitas palestras, ele trazia consigo um brinquedo de pelúcia de antílope gnu – o símbolo de seu movimento, e sua barba desgrenhada e espessa se tornou uma lenda. A piadas sobre como uma ecossistema própria nasceu em sua barba, ele respondia pragmaticamente: o tempo deve ser gasto em código e na luta pela liberdade, não em salões de beleza.

Entre os usuários de Linux, surgiu até um utilitário de brincadeira chamado vrms (Virtual Richard M. Stallman). Ao ser executado, este Stallman virtual escaneia seu sistema e, se encontrar pelo menos um pacote proprietário (por exemplo, drivers fechados de placa de vídeo), começa a resmungar insatisfeito.

A higiene digital de Stallman é uma forma de arte. Ele não apenas prega a rejeição ao software proprietário, ele literalmente vive assim. Richard trabalha exclusivamente em máquinas com um SO totalmente livre e BIOS aberto (Coreboot). Ele se recusa a usar smartphones porque eles possuem módulos de comunicação fechados (baseband) que o usuário não controla. Ele não está registrado em nenhuma rede social. Além disso, até mesmo a navegação web comum para ele é um campo minado. Para não executar código JavaScript fechado de corporações, ele visualiza sites através de scripts especiais ou navegadores de terminal, às vezes simplesmente enviando uma solicitação para um servidor especial que lhe envia o código HTML da página por e-mail.

Em 2021, Stallman retornou inesperadamente ao conselho diretor da FSF. Isso causou uma nova cisão na comunidade: parte dos desenvolvedores (incluindo empresas como a Red Hat) ameaçou interromper o financiamento da fundação, exigindo sua saída definitiva, enquanto milhares de programadores comuns assinaram uma petição em seu apoio, declarando que sem Richard o movimento Free Software perderia sua essência.

Conclusão

Hoje, Richard Stallman tem mais de 70 anos. Ao contrário de Gates ou Jobs, ele não construiu um império de TI nem ganhou bilhões. Mas sua influência no mundo é difícil de superestimar. A filosofia de RMS, sua licença GPL e o projeto GNU formam a base da infraestrutura sobre a qual a civilização moderna se sustenta. Os servidores que rodam a internet, supercomputadores, rovers marcianos e bilhões de smartphones baseados em Android em nossos bolsos – tudo isso funciona graças ao fato de que um hacker teimoso decidiu um dia que o software deveria ser livre e dedicou toda a sua vida à defesa desse direito.

Cada vez que você baixa livremente uma ferramenta para trabalhar, lê o código-fonte de uma biblioteca no GitHub ou faz um fork de um projeto alheio – você está usufruindo do legado de Stallman.

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