John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, enfrenta a possibilidade de até cinco anos de prisão e uma multa de US$ 2,25 milhões após admitir em um tribunal federal que manuseou indevidamente informações classificadas como Top Secret. O caso gira em torno do uso de sua caixa de e-mail pessoal para armazenar e transmitir dados sensíveis, que posteriormente foram acessados por um cibercriminoso associado ao Irã.
O Departamento de Justiça dos EUA informou que Bolton, de 77 anos, se declarou culpado de reter intencionalmente informações relacionadas à defesa nacional. Durante seu mandato como conselheiro de segurança nacional, de abril de 2018 a setembro de 2019, Bolton teria registrado dados secretos em suas anotações pessoais, que ele descreveu como "diários". Segundo a investigação, essas anotações continham informações de nível Top Secret, incluindo dados de Compartimentação Sensível de Informações (Sensitive Compartmented Information - SCI). Os materiais em questão detalhavam planos de operações militares de adversários dos EUA, ações secretas do governo americano no exterior e inteligência sobre líderes estrangeiros obtida por meio de fontes sigilosas e comunicações interceptadas.
A acusação sustenta que Bolton compartilhou esses documentos confidenciais com dois membros de sua família que não possuíam autorização de segurança. Para essa transferência, o ex-oficial utilizou suas contas de e-mail pessoais e um aplicativo de mensagens não governamental. Cópias dos documentos também foram encontradas em sua residência em Bethesda, Maryland, apesar de tais materiais serem estritamente proibidos de serem mantidos fora de instalações de armazenamento aprovadas e seguras. Um incidente separado envolve o comprometimento da conta de e-mail pessoal de Bolton após sua saída da administração em setembro de 2019. Documentos judiciais indicam que um ator cibernético, supostamente ligado à República Islâmica do Irã, obteve acesso à conta. Bolton reportou o incidente às autoridades, mas não informou aos agentes do FBI ou a outros representantes do governo que a conta continha informações de defesa nacional.
Um grande júri federal em Maryland indiciou Bolton em outubro de 2025 com 18 acusações relacionadas à transmissão e retenção de informações de defesa nacional. O acordo de confissão de culpa encerra todas as acusações. Sob o acordo com a promotoria, Bolton concorda com uma sentença de até 60 meses de prisão e o pagamento de uma multa de US$ 2,25 milhões. A sentença está marcada para 28 de outubro de 2026. Adicionalmente, após uma condenação, Bolton e seus herdeiros perderão o direito a qualquer pensão federal ou pagamentos de aposentadoria associados ao serviço público. O caso está sendo investigado pelo escritório do FBI em Baltimore, com apoio de unidades de contraespionagem e tecnologia operacional do FBI. O Departamento de Justiça declarou que a admissão de culpa serve como um aviso para funcionários que lidam com informações sigilosas, enfatizando que o uso de contas pessoais e aplicativos de mensagens domésticos representa um risco direto à segurança nacional ao manusear segredos de estado.







