A NASA realizou testes em um novo e singular rover, batizado de ERNEST (Exploration Rover for Navigating Extreme Sloped Terrain), em um deserto na Califórnia. Este protótipo de quatro rodas, com apenas 1,2 metro de comprimento, demonstrou uma capacidade de locomoção impressionante, percorrendo cerca de 26 quilômetros em terrenos rochosos, arenosos e inclinados com mínima intervenção humana. O ERNEST foi projetado para superar as limitações dos rovers atuais, como o Curiosity e o Perseverance, com um sistema de suspensão ativa que permite levantar cada roda de malha independentemente, redistribuir a carga e selecionar manobras para transpor obstáculos que parariam um rover convencional.
Durante sete dias de testes de campo, o ERNEST acumulou 37 horas de operação, atingindo velocidades de aproximadamente 1 km/h. Embora pareça modesto para padrões terrestres, essa velocidade representa um avanço significativo para rovers planetários, sendo cerca de dez vezes mais rápida do que a velocidade máxima segura de navegação em terrenos complexos para o Curiosity e o Perseverance. A NASA vê o ERNEST como um precursor para futuros rovers lunares de longo alcance, capazes de cobrir grandes distâncias em terrenos acidentados, operar sob condições de iluminação desafiadoras e depender menos de comandos constantes da Terra. A equipe do Jet Propulsion Laboratory (JPL) está aprimorando tanto o hardware quanto o software para garantir a mobilidade em distâncias extremas e em diversos tipos de superfícies.
O desenvolvimento do ERNEST começou com um foco em mecânica, buscando criar um rover relativamente simples e acessível que evoluísse o conceito de suspensão rocker-bogie, utilizado pela NASA desde o rover Sojourner. No entanto, o ERNEST incorpora uma suspensão ativa com dois pivôs de acionamento na frente, que controlam um nó móvel e permitem ao rover adaptar sua "marcha". A máquina pode se contorcer, reposicionar suas rodas de forma quase independente, escalar obstáculos e até mesmo se mover lateralmente com suas quatro rodas direcionais. O sistema possui um modo ativo para terrenos complexos e um modo passivo para economizar energia. A inteligência artificial, especificamente o aprendizado por reforço, foi crucial para o desenvolvimento da autonomia do ERNEST, permitindo que o rover aprendesse a navegar e superar obstáculos através de simulações virtuais detalhadas antes de ser implementado no hardware real. O objetivo final é que o ERNEST possa não apenas escolher quando ativar sua suspensão ativa, mas também planejar rotas de longo alcance, distinguindo obstáculos transitáveis de perigosos, o que será fundamental para futuras missões em áreas mais remotas e desafiadoras da Lua e de Marte.






