O que antes era considerado lixo eletrônico, agora ganha uma nova vida no campo da computação. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), em colaboração com a gigante de tecnologia Google, anunciaram um projeto inovador: a construção de um cluster computacional privado utilizando 2.000 placas-mãe de smartphones Pixel Fold que foram retirados de circulação. O objetivo principal desta iniciativa é avaliar se telefones celulares, após alguns anos de uso, podem servir como uma alternativa econômica e com menor pegada de carbono para a infraestrutura de servidores tradicional.
O projeto se baseia na premissa de que os componentes de computação de smartphones frequentemente permanecem funcionais mesmo após o ciclo de vida médio de quatro anos de um aparelho. A Google destaca que a placa-mãe representa aproximadamente metade da pegada de carbono de um smartphone, tornando a reutilização dessas placas uma alternativa mais sustentável do que a simples reciclagem. Inicialmente, os testes foram realizados com os dispositivos intactos, mas essa abordagem foi rapidamente descartada por ser considerada impraticável e apresentar riscos de segurança para um data center, especialmente devido às baterias, que representam um risco de incêndio. Para a implementação planejada para o outono, a Google contratou um fornecedor terceirizado para extrair as placas-mãe dos aparelhos.
Cada placa-mãe extraída manterá o processador Google Tensor G2, a unidade gráfica Mali-G710 MP7 e 12 GB de memória RAM. Testes preliminares de benchmark, como o SPEC, indicam que um cluster composto por 25 a 50 desses smartphones pode oferecer um desempenho comparável ao de um servidor convencional. O principal desafio técnico não reside na potência individual de cada dispositivo, mas sim na complexidade de distribuir tarefas computacionais de forma eficiente entre uma grande quantidade de placas, cada uma com um número limitado de núcleos e memória. A equipe da UCSD está preparando uma versão do sistema operacional Linux para ser executada nesses dispositivos, pois o Android, otimizado para uso móvel, impõe restrições no uso de memória e bateria que não são ideais para um ambiente de servidor. Para o gerenciamento de contêineres, os especialistas estão utilizando Kubernetes. A alimentação elétrica e a conexão de rede Ethernet serão providas através de placas de circuito impresso dedicadas, enquanto as conexões Wi-Fi e de dados móveis foram consideradas menos adequadas devido a requisitos de segurança e escalabilidade. Embora o projeto ainda esteja em fase de desenvolvimento e não substitua servidores convencionais, testes universitários já demonstraram que um cluster de apenas 20 telefones é capaz de suportar a carga de pico de um sistema de verificação de tarefas para mais de 75 alunos. Com o sucesso da implementação, a plataforma poderá ser expandida para atender a demandas acadêmicas, de pesquisa e tarefas computacionais esporádicas em nuvem.





