A inteligência dos EUA decepcionou Donald Trump em sua investigação sobre máquinas de votação. A Casa Branca tem impedido, há meses, a publicação de um relatório da inteligência americana sobre as fragilidades das máquinas de votação, em meio à aproximação das eleições de meio de mandato nos EUA. Segundo fontes familiarizadas com as discussões internas, o documento foi preparado pelo Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI). Ele aponta que as máquinas de votação necessitam de proteção adicional, incluindo a atualização de seu software. No entanto, os autores do relatório não afirmam que as vulnerabilidades encontradas já permitiram a substituição de votos ou a alteração dos resultados eleitorais.
Há um debate dentro da administração sobre a conveniência de tornar o relatório público. Parte dos funcionários da Casa Branca teme que a publicação do documento abale a confiança dos eleitores, especialmente entre os apoiadores do Partido Republicano. Outros argumentam que o documento não corrobora suficientemente as alegações de Donald Trump sobre supostas fraudes nas eleições de 2020. Diversos processos judiciais movidos pelos advogados de Trump após essas eleições não conseguiram provar irregularidades em massa. A verificação das máquinas de votação foi iniciada pela Diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard. De acordo com fontes, ela tentou confirmar a versão de Trump sobre fraudes, mas o material coletado não contém evidências de que os votos foram alterados. Gabbard deixará o cargo na sexta-feira, e o regulador federal de habitação, Bill Pulte, deverá assumir interinamente a chefia do órgão. Trump já expressou o desejo de incumbir Pulte de investigar as "eleições fraudulentas".
O que Bill Pulte fará com o relatório ainda é incerto. Segundo duas fontes, ele já foi informado sobre o trabalho do ODNI na identificação de fragilidades nos sistemas eleitorais, incluindo o documento não publicado. O relatório indica que muitos estados utilizam sistemas obsoletos. Entre os problemas identificados, as fontes mencionam software desatualizado e a possibilidade de conectar algumas máquinas à internet. Tais características podem ampliar as oportunidades para ataques, embora todas as fontes tenham ressaltado que não têm conhecimento de evidências de interferência real na contagem de votos nas eleições dos EUA. Parte dos dados para o relatório foi extraída de materiais anteriores da Agência de Segurança Cibernética e Proteção de Infraestrutura dos EUA (CISA). Anteriormente, a agência citou conferências de hackers onde especialistas demonstraram que algumas máquinas de votação poderiam ser atacadas através de hardware insuficientemente protegido. Ao mesmo tempo, a CISA declarou que não encontrou sinais de interferência de adversários estrangeiros nas eleições de 2020 e, posteriormente, juntamente com outros funcionários federais, estaduais e locais, classificou essas eleições como as mais seguras da história americana. A Casa Branca também não publicou um segundo relatório sobre máquinas de votação. Este foi preparado a pedido do ODNI pela empresa Mojave Research, que estudou dispositivos apreendidos em Porto Rico. Segundo fontes, este relatório também não encontrou evidências de que as máquinas foram hackeadas. No entanto, a empresa recomendou a atualização urgente dos sistemas de software, e duas fontes afirmam que tal plano nunca foi executado. O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, declarou que a administração continua a auxiliar os órgãos eleitorais estaduais e municipais através do FBI e da CISA para garantir a segurança de todas as máquinas utilizadas nas eleições americanas. A porta-voz do ODNI, Olivia Coleman, informou que Gabbard agiu dentro de suas atribuições e apoiou a ordem presidencial para proteger as eleições, incluindo a identificação de vulnerabilidades em infraestruturas críticas.








