Supercomputador chinês LineShine supera campeão americano com 20% de vantagem e sem GPUs
O supercomputador chinês LineShine assume a liderança do ranking Top500, superando o americano El Capitan em 20% de desempenho. A inovação reside na arquitetura que dispensa GPUs dedicadas, utilizando processadores Arm com blocos de cálculo matricial e vetorial integrados.
MundiX News·26 de junho de 2026·5 min de leitura·👁 1 views
A China reassumiu a liderança no ranking Top500 de supercomputadores pela primeira vez desde 2017, com o sistema LineShine. Localizado no Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen, o complexo alcançou 2,198 exaflops no teste High Performance Linpack (HPL), superando o então líder americano El Capitan em mais de 20%. O El Capitan, que liderava desde novembro de 2024, foi ultrapassado após um longo reinado.
O LineShine foi construído pela Shenzhen Cloud Computing Center com base na plataforma chinesa LingKun. Ele é equipado com processadores LX2 de 304 núcleos rodando a 1,55 GHz, uma rede de interconexão de dados própria chamada LingQi e aproximadamente 13,79 milhões de núcleos computacionais. Sua performance teórica atinge 2,736 exaflops, com o teste HPL confirmando cerca de 80% dessa capacidade máxima. Em termos de eficiência energética, o supercomputador consome cerca de 42,2 megawatts e entrega 52,07 gigaflops por watt. No ranking Green500, que avalia a eficiência energética, o LineShine não figurou entre os três primeiros, com o sistema francês KAIROS mantendo a liderança com 73,28 gigaflops por watt.
A principal característica distintiva do LineShine, além de sua velocidade, é a ausência de unidades de processamento gráfico (GPUs) dedicadas. Tradicionalmente, os supercomputadores mais potentes combinam CPUs (Unidades Centrais de Processamento) com GPUs, sendo estas últimas essenciais para acelerar tarefas paralelas intensivas, como treinamento de redes neurais, simulações climáticas e processamento de grandes volumes de dados. No entanto, os desenvolvedores do LineShine integraram blocos de cálculo matricial e vetorial diretamente nos processadores, funcionalidades que normalmente são aceleradas por GPUs. A arquitetura utiliza o conjunto de instruções Arm, mas o fabricante dos processadores e a tecnologia de fabricação dos chips permanecem um segredo.
Jack Dongarra, um dos organizadores do ranking Top500, elogiou a inovação do LineShine, destacando que ele demonstra a viabilidade de construir um supercomputador exaescala sem depender de GPUs. Essa arquitetura ganha relevância política, considerando as restrições impostas pelos Estados Unidos ao fornecimento de GPUs de alta performance e equipamentos de fabricação de semicondutores avançados para a China. No teste HPCG, que simula cargas de trabalho mais próximas de aplicações científicas reais, o LineShine também obteve o primeiro lugar com 22 petaflops. Em testes de precisão mista como o HPL-MxP, o sistema chinês alcançou 7,92 exaflops, posicionando-se em quarto lugar, enquanto o El Capitan manteve a liderança com 16,7 exaflops, impulsionado por seus aceleradores AMD Instinct MI300A.
Fora do ambiente de benchmarks, o LineShine está sendo utilizado para simulações complexas da Terra, abrangendo atmosfera, oceanos, terra e calotas polares, além de pesquisas relacionadas à modelagem do cérebro humano. Pesquisadores chineses submeteram 14 trabalhos utilizando o sistema para o prêmio Gordon Bell, um reconhecimento de destaque em computação de alta performance. Três desses projetos chegaram à final da categoria principal, e outros três são candidatos ao prêmio climático. Com a ascensão do LineShine, o El Capitan caiu para a segunda posição com 1,809 exaflops. O Frontier americano ficou em terceiro (1,353 exaflops), seguido pelo Aurora americano (1,012 exaflops) e o JUPITER Booster alemão (1 exaflops), completando o top 5. Na versão de junho do Top500, cinco sistemas ultrapassaram a marca de exaescala.
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A China reassumiu a liderança no ranking Top500 de supercomputadores pela primeira vez desde 2017, com o sistema LineShine. Localizado no Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen, o complexo alcançou 2,198 exaflops no teste High Performance Linpack (HPL), superando o então líder americano El Capitan em mais de 20%. O El Capitan, que liderava desde novembro de 2024, foi ultrapassado após um longo reinado.
O LineShine foi construído pela Shenzhen Cloud Computing Center com base na plataforma chinesa LingKun. Ele é equipado com processadores LX2 de 304 núcleos rodando a 1,55 GHz, uma rede de interconexão de dados própria chamada LingQi e aproximadamente 13,79 milhões de núcleos computacionais. Sua performance teórica atinge 2,736 exaflops, com o teste HPL confirmando cerca de 80% dessa capacidade máxima. Em termos de eficiência energética, o supercomputador consome cerca de 42,2 megawatts e entrega 52,07 gigaflops por watt. No ranking Green500, que avalia a eficiência energética, o LineShine não figurou entre os três primeiros, com o sistema francês KAIROS mantendo a liderança com 73,28 gigaflops por watt.
A principal característica distintiva do LineShine, além de sua velocidade, é a ausência de unidades de processamento gráfico (GPUs) dedicadas. Tradicionalmente, os supercomputadores mais potentes combinam CPUs (Unidades Centrais de Processamento) com GPUs, sendo estas últimas essenciais para acelerar tarefas paralelas intensivas, como treinamento de redes neurais, simulações climáticas e processamento de grandes volumes de dados. No entanto, os desenvolvedores do LineShine integraram blocos de cálculo matricial e vetorial diretamente nos processadores, funcionalidades que normalmente são aceleradas por GPUs. A arquitetura utiliza o conjunto de instruções Arm, mas o fabricante dos processadores e a tecnologia de fabricação dos chips permanecem um segredo.
Jack Dongarra, um dos organizadores do ranking Top500, elogiou a inovação do LineShine, destacando que ele demonstra a viabilidade de construir um supercomputador exaescala sem depender de GPUs. Essa arquitetura ganha relevância política, considerando as restrições impostas pelos Estados Unidos ao fornecimento de GPUs de alta performance e equipamentos de fabricação de semicondutores avançados para a China. No teste HPCG, que simula cargas de trabalho mais próximas de aplicações científicas reais, o LineShine também obteve o primeiro lugar com 22 petaflops. Em testes de precisão mista como o HPL-MxP, o sistema chinês alcançou 7,92 exaflops, posicionando-se em quarto lugar, enquanto o El Capitan manteve a liderança com 16,7 exaflops, impulsionado por seus aceleradores AMD Instinct MI300A.
Fora do ambiente de benchmarks, o LineShine está sendo utilizado para simulações complexas da Terra, abrangendo atmosfera, oceanos, terra e calotas polares, além de pesquisas relacionadas à modelagem do cérebro humano. Pesquisadores chineses submeteram 14 trabalhos utilizando o sistema para o prêmio Gordon Bell, um reconhecimento de destaque em computação de alta performance. Três desses projetos chegaram à final da categoria principal, e outros três são candidatos ao prêmio climático. Com a ascensão do LineShine, o El Capitan caiu para a segunda posição com 1,809 exaflops. O Frontier americano ficou em terceiro (1,353 exaflops), seguido pelo Aurora americano (1,012 exaflops) e o JUPITER Booster alemão (1 exaflops), completando o top 5. Na versão de junho do Top500, cinco sistemas ultrapassaram a marca de exaescala.
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